Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

A reputação da economia brasileira foi negativa em todos os meses de 2022 na mídia estrangeira. O resultado foi impulsionado pelo cenário político/eleitoral e também pelas incertezas sobre a condução da política monetária e fiscal.

Depois da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a mídia internacional abordou com preocupação declarações contra privatizações e pela ampliação de gastos públicos. Como mostra o infográfico a seguir, os piores meses de 2022 foram outubro (quando Lula venceu a eleição presidencial), novembro e dezembro.

Os dados são de levantamento realizado pelo Radar +55, hub de inovação do Grupo BCW. Foram analisadas 1.117 notícias ao longo de todo o ano de 2022 dos principais veículos de mídia de 8 países: Alemanha, Argentina, Chile, China, Estados Unidos, França, Inglaterra e México.

Os gastos públicos tornaram a ser o centro das discussões durante a fase de transição de governos, com as negociações para aprovação da PEC da transição que garantiu recursos para programas sociais e serviços públicos essenciais. Apesar do caráter assistencial e emergencial, a imprensa questionou a viabilidade e sustentabilidade desses gastos sob o ponto de vista da responsabilidade fiscal, estabelecendo essa meta como o principal desafio para Lula em seu mandato e ressaltando as desconfianças de investidores externos“, diz um trecho do levantamento.

A avaliação mais negativa nos últimos 3 meses do ano também é explicada pela análise da mídia estrangeira sobre o legado do governo de Jair Bolsonaro (PL). 

“A mudança de governo levou a uma série de avaliações críticas do mandato de Jair Bolsonaro, que causou menções sobre sua atuação na pandemia, no controle da inflação e, sobretudo, na política ambiental”, diz o estudo.

A inflação, que chegou a 12% no acumulado de 12 meses em abril, foi alvo de críticas ao longo do ano. A condução da política fiscal do governo, com medidas visando às eleições, também. A troca no comando da Petrobras foi vista como interferência de Bolsonaro.

O índice mais alto de confiabilidade na economia do Brasil foi registrado nos meses de julho, agosto e setembro. “O melhor desempenho desse quesito se deu no 3º trimestre, com 39% das citações mostrando otimismo diante da recuperação dos índices de inflação, desemprego e atividade comercial e industrial“, informou o estudo.

O Radar +55 destacou que os eventos que marcaram a política do país no ano passado geraram insegurança internacionalmente.  “Na avaliação da mídia estrangeira, o governo se mostrava inerte ao não promover ciclos de correção – sobretudo na Política Monetária – e não dava sinais de que entendia e iria responder às demandas globais de boas práticas econômicas a partir de ações planejadas e com efeitos a longo prazo. Vislumbrava-se um ano marcado por iniciativas eleitoreiras.” 

No início de 2022, as questões políticas/eleitorais foram mencionadas em 19% dos textos que falavam sobre a economia. O número subiu para 41% no 4º trimestre. 

O ex-presidente Jair Bolsonaro também passou a ser considerado pela mídia estrangeira como o maior responsável pelos problemas econômicos. No 1º trimestre, 18% das citações em reportagens atribuíam ao então presidente a responsabilidade direta dos problemas econômicos. Essa proporção subiu para 41% no último trimestre. As duas principais críticas foram: 

  • iniciativas consideradas eleitoreiras; 
  • discursos e posturas consideradas antidemocráticas.

A única temática que ficou o ano todo positiva para o Brasil foi a balança comercial, que registrou crescimento das exportações agrícolas. “Essa foi a única temática com saldo positivo durante todo o ano, representando uma válvula de escape para a imagem do Brasil e até mesmo indicando por onde uma possível retomada deve partir no próximo período“, disse o levantamento. 

METODOLOGIA

O Radar +55 utiliza a metodologia do IDM, desenvolvido pelo Grupo BCW Brasil, para avaliar a reputação da economia brasileira na imprensa de 8 países. O algoritmo do IDM considera mais de 20 variáveis na análise de cada resultado de mídia espontânea. Os critérios são quantitativos e, principalmente, qualitativo. Referem-se ao veículo de mídia em que o resultado foi publicado e ao próprio conteúdo da matéria, permitindo a criação de insights e inteligência de dados com o cruzamento de informações e recortes temáticos ou cronológicos.  

Para medir a pontuação, há uma classificação de reportagens. O Poder360 destaca os seguintes critérios analisados: 1) se o texto tem teor positivo ou negativo; 2) qual o destaque dado à economia brasileira; 3) se há emprego de foto e em qual veículo foi publicado. Essas informações são incluídas em um sistema automatizado. Somam-se as pontuações de cada reportagem e, assim, chega-se ao saldo final.

Créditos: Poder 360.

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